
Imagine-se passeando pelas prateleiras do supermercado e comprando idéias. Você pega o incentivo ao reflorestamento, um auxílio para manter os rios limpos e caixinhas contra o uso de agrotóxicos. A cena é fictícia, mas o fundamento não. Foi-se o tempo em que fazer compras era só abastecer a casa. A questão é qual o preço (em reais) dessas opções.
Hoje, consumir implica responsabilidade. Demonstra resistência ou apoio em relação ao fabricante e o conhecimento do impacto que a cadeia de produção causa. “Ter consciência de que se pode influenciar o mundo como consumidor é um dado importante e inevitável. O pós-moderno não se esquece das implicações do objeto comprado. Por exemplo, atualmente, quem vai querer um cinto feito de couro de crocodilo ou um diamante desencravado à custa do trabalho escravo? É essa postura que nos levará ao equilíbrio, evitando a barbárie consumista”, pondera o antropólogo Roberto DaMatta. Você pode endossar uma campanha, sabotar uma conduta ou ajudar a financiar uma causa, de acordo com as escolhas que faz. Nesta era, do consumo responsável, os alimentos orgânicos, os eletrodomésticos que economizam energia, os objetos de madeira com selo do FSC e muitos outros produtos sustentáveis estão em alta. Mas quanto custa fazer essa opção sempre e em todos os setores? Às vezes um produto com as características ecologicamente corretas pode sair 50% a mais do que o similar popular, e em outras, o mesmo tanto que um produto convencional. O importante é comparar e escolher de acordo com sua saúde financeira. Voltando ao supermercado, se não dá para ter tudo verde, pode-se ter metade de tudo verde ou apenas um item. Como diz o próprio Roberto DaMatta, tudo bem com a preocupação sobre a sustentabilidade, mas não podemos nos esquecer de que antes precisamos salvar o homem.
Na medida do possível
Dicas da consultora Elissandra Schmitt para um consumo responsável:
• Questione-se uma, duas, três vezes se realmente precisa consumir o produto.
• Avalie a embalagem. É exagerada? Possui materiais sintéticos e não orgânicos? É reciclável? Verifique se pode consumir um similar com embalagens menos impactantes (plástico biodegradável, por exemplo).
• Prefira itens que tenham selos relacionados a aspectos sociais e ambientais, como os selos de produção orgânica: IBD (Instituto BioDinâmico), Ecocert e AAO(Associação de Agricultura Orgânica), os de manejo florestal, como o FSC e Cerflor (respectivamente selos de origem internacional e nacional), e o do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel e Conpet), que representam melhor desempenho energético e menor impacto ambiental.
• Sempre que possível, troque o supermercado pela feira, que não embala os produtos e oferece preços menores. Melhor ainda se descobrir feiras nas quais os agricultores vendem diretamente seus produtos, sem o adicional dos intermediários.
• Opte por itens da estação e pelos in natura, que garantem qualidade melhor e preços mais baixos.
*O que está por trás dos preços verdes
SABÃO EM PÓ BIODEGRADÁVEL
(R$ 7, contra R$ 5, do similar)*
-Itens que elevam o preço:
• Matérias-primas nobres (de origem vegetal e certificadas por órgãos internacionais, como IBD, Ecocert, BDIH etc.). Não há o uso de substâncias derivadas do petróleo, de animais ou sintéticas.
• Embalagens 100% recicláveis. Não inclui nenhum material tóxico para o meio ambiente.
ALIMENTOS ORGÂNICOS
-Itens que elevam o preço:
• A escala de produção feita sem agrotóxico.
• Do cultivo ao armazenamento dos alimentos, regras rígidas precisam ser seguidas para o alimento receber o certificado.
• Embalagem diferenciada (uma maçã orgânica tem que vir com um selo de certificação, mas ele não pode estar diretamente sobre o produto. Para isso, é necessârio uma embalagem, bandeja, por exemplo, feita em material que não cause impacto ao meio ambiente).
* Preços pesquisados em fevereiro de 2008.
Eduque-se financeira e ecologicamente
BONS SITES
BONS LIVROS
• Biodiversidade: Para Comer, Vestir ou Passar no Cabelo? Nurit Bensusan, ed. Fundação Peirópolis
• Desenvolvimento Sustentável – Desafio do Século XXI, José Eli da Veiga, ed. Garamond
